Arca - Repositório Institucional da Fiocruz
O Arca é o Repositório Institucional da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), sua função é reunir, hospedar, disponibilizar e dar visibilidade à produção intelectual da Instituição. Visa estimular a mais ampla circulação do conhecimento, fortalecendo o compromisso institucional com o livre acesso da informação em saúde, além de conferir transparência e incentivar a comunicação científica entre pesquisadores, educadores, acadêmicos, gestores, alunos de pós-graduação, bem como a sociedade civil. O Arca está organizado em comunidades que correspondem às unidades da Fiocruz. Cada comunidade pode reunir os seus documentos em diferentes coleções.
Submissões Recentes
Seminários Avançados em Saúde Global e Diplomacia da Saúde (Catálogo 2020-2025)
(2026) Buss, Paulo M.; Neto , Clementino Fraga; Linger, Pedro; Vieira , Bárbara Maria de Melo; Turco, Claudia Santos
Lançamento do Catálogo (2020-2025) dos Seminários Avançados em Saúde Global e Diplomacia da Saúde promovido pela Vice - Presidência de Saúde Global e Relações Internacionais (VPSGRI).
Decolonizar o cuidado, territorializar a cura: a educação popular em saúde e a reinscrição da maconha nas gramáticas do SUS
(2026) Martins, Lairton Bueno; Ferla, Alcindo Antônio; Silveira, Elisângela Martins da Rosa; Kuhn, Marla; Merhy, Emerson Elias; Ferla, Alcindo Antônio
Este trabalho analisa a criminalização da maconha como dispositivo da colonialidade do cuidado e discute o papel da Educação Popular em Saúde na construção de práticas de cuidado decolonizadas no Sistema Único de Saúde. Parte-se da compreensão de que o cuidado em saúde é uma prática histórica, territorial e relacional, produzida também por saberes ancestrais e populares, frequentemente deslegitimados pela hegemonia biomédica. Nesse contexto, a trajetória da maconha no Brasil é examinada como analisador das disputas em torno da legitimidade dos saberes, das práticas terapêuticas e da soberania dos territórios, evidenciando como o proibicionismo, articulado ao racismo estrutural e à colonialidade do saber, produziu silenciamentos, epistemicídios e restrições ao reconhecimento de formas populares de cura. O estudo tem como objetivo contextualizar esse processo, problematizar o modelo biomédico como regime dominante de validação do cuidado e propor a Educação Popular em Saúde como estratégia capaz de integrar saberes diversos em uma ecologia de saberes comprometida com a integralidade, a autonomia e a justiça social. Metodologicamente, caracteriza-se como ensaio teórico fundamentado em revisão bibliográfica crítica e exploratória, com análise qualitativa de produções científicas, obras de referência e documentos institucionais das áreas da Saúde Coletiva, da Teoria Decolonial, das racionalidades em saúde e da Educação Popular em Saúde. Conclui-se que a reinscrição da maconha nas gramáticas do SUS, a partir de uma perspectiva territorial e decolonial, amplia o debate sobre o direito à saúde e fortalece a construção de um sistema público mais plural, democrático e comprometido com a reparação histórica e com a valorização dos saberes produzidos nos territórios.
Mulheres no caminho das águas: pela cura da terra, seguindo a cosmopoética dos ventos
(2026) Rosa, Luana Silva da; Friedrich, Neidi Regina; Marques, Pâmela Marconatto; Meneses, Michele Neves; Friedrich, Neidi Regina
No presente trabalho, elaborado como produto final do curso de Especialização em Educação Popular em Saúde, apresento uma narrativa auto-etnográfica com relatos de experiências que integram minha trajetória acadêmica, profissional, de vida, ativismo socioambiental e espiritualidade. A pesquisa, que percorre o caminho das águas, fundamenta-se em minhas vivências enquanto uma mulher rezadeira, adotando uma perspectiva que transcende a individualidade para alcançar uma dimensão coletiva. O objetivo geral deste estudo é relatar a integração entre minhas vivências pessoais, com o ativismo socioambiental e a espiritualidade, em confluência com a trajetória de outras mulheres rezadeiras. A pesquisa busca narrar minha trajetória pessoal e coletiva, destacando a rede de apoio formada por essas mulheres. Além disso, busco analisar a intersecção entre espiritualidade e o conceito de corpo-território, vinculando a cura da terra ao fazer prático e espiritual: “enquanto reza vai fazendo”! A metodologia do trabalho apresenta a “cosmopoética dos ventos”, percurso que justifica o fluxo intuitivo da escrita e a confiança nas possibilidades imprevistas sopradas pelo vento. A monografia se divide em três capítulos principais: “Mulheres no caminho das águas”, que estabelece uma linha do tempo contemplando as vivências dos seis tempos-comunidade realizados durante o período da especialização; “A cosmopoética dos ventos” que detalha a metodologia e os fluxos imprevistos e “Enquanto reza vai fazendo: a cura da terra pelas mãos de mulheres rezadeiras” que descreve minha atuação como uma mulher rezadeira e meu vínculo com determinados territórios sagrados. As considerações finais costuram a pesquisa como uma “colcha de retalhos” que reafirma a indissociabilidade entre o rezar e o fazer. O trabalho apresenta como reflexão que a prática espiritual e a ação política devem confluir em um fazer constante, servindo como uma ferramenta em favor da espiritualidade, da cura, do aprendizado e da luta socioambiental no campo da Educação Popular em Saúde.
Gestão pública, território e diálogo: os princípios da educação popular no Programa Vix + Cidadania
(2026) Fernandes, Roseane Pimentel Rhodes Gonçalves; Fernandes, Luis Eduardo da Rocha Maia; David, Helena María Scherlowski Lea; Rodrigues, Bianca Barcelos; Fernandes, Luis Eduardo da Rocha Maia
O presente trabalho investigou como os princípios da Educação Popular são incorporados na implementação do Programa Vix + Cidadania, política municipal de transferência de renda do município de Vitória (ES), com foco na escuta ativa, participação social e construção compartilhada de conhecimento nos territórios atendidos. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, articulando análise documental do desenho institucional do Programa, revisão bibliográfica sobre Educação Popular, Segurança Alimentar e Nutricional e controle social, além da sistematização de experiências e percepções produzidas no cotidiano da equipe técnica responsável pela execução da política. Identificaram-se mecanismos formais de participação e escuta previstos no Programa, bem como situações-problema vivenciadas pelos beneficiários relacionadas ao acesso à alimentação, à renda e aos serviços socioassistenciais. Observou-se que, embora o Programa preveja estratégias de acompanhamento familiar e articulação intersetorial, a incorporação de práticas dialógicas e participativas ocorre de forma desigual, condicionada por limites institucionais como sobrecarga de trabalho, insuficiência de recursos e centralidade de procedimentos administrativos. Por outro lado, a experiência analisada revelou potencialidades para o fortalecimento da gestão participativa, especialmente na integração de ações de Educação Alimentar e Nutricional inspiradas na Educação Popular, na valorização da escuta qualificada das famílias e na devolutiva pública de informações e avaliações. Conclui-se que o Programa Vix + Cidadania apresenta condições para ampliar a incorporação dos princípios da Educação Popular, desde que sejam fortalecidos espaços de participação social, processos formativos das equipes e estratégias de produção e socialização do conhecimento nos territórios, contribuindo para a efetivação do Direito Humano à Alimentação Adequada e para o aprimoramento democrático da gestão da política pública.
Oficina prática de cuidado coletivo e arte botânica para mulheres na igreja coletivação no território de Ceilândia Norte: fomentando o autocuidado, o fortalecimento de uma rede de apoio comunitária e a promoção da saúde das mulheres
(2025) Andrade, Karuline Peruzzo de Urzedo Oliveira; Galetti, Camila Carolina Hildebrand; Corrêa, Virgínia da Silva; Zuliane, Mercedes; Vanderlinde , Alcenira; Galetti, Camila Carolina Hildebrand
A Oficina Prática de Cuidado Coletivo e Arte Botânica para mulheres, realizada na Igreja Coletivação no território de Ceilândia Norte, Brasília - DF, pretende fomentar o autocuidado, fortalecer uma rede de apoio comunitária e promover a saúde das participantes tendo a Arte Botânica como ferramenta de cuidado. Diante do enfrentamento das demandas sociais e emocionais que colocam as mulheres em vulnerabilidade e sobrecarga no cuidado, busca-se oferecer um espaço de acolhimento, aprendizado, empoderamento, emancipação e bem-viver através da arte educação. O presente trabalho tem como metodologia a Sistematização de Experiências (SE), com abordagem qualitativa, exploratória e descritiva, mediante pesquisa documental, com base pedagógica na educação popular em saúde. Espera-se com essa intervenção, promover a participação social das mulheres da comunidade, fomentando o cuidado com a saúde das participantes, partilhando aprendizagens inspiradas pela pedagogia da esperança, onde se aprende fazendo, observando, escutando e coletivamente, reconectando as mulheres a sua expressão criativa, utilizando a manualidade artesanal pela prática da Arte Botânica para ressignificar vivências, integrando a espiritualidade e a arte como ferramentas de cuidado coletivo, estimulando o protagonismo, a criatividade, autonomia e o empoderamento das mulheres que integram o grupo em sistematização.
