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dc.creatorFundação Oswaldo Cruz. Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca
dc.date.accessioned2017-07-24T14:44:05Z
dc.date.available2017-07-24T14:44:05Z
dc.date.issued2009
dc.identifier.citationRADIS: Comunicação e Saúde. Rio de Janeiro: FIOCRUZ/ENSP, n. 81, maio 2009. 24 p. Mensal.
dc.identifier.urihttps://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/20272
dc.description.abstractNo meio do caminho da Estrada de Ferro Central do Brasil, em Minas Gerais, tinha um barbeiro. Contaminado em hospedeiros silvestres, o hematófago encontrado nas casas de taipa daquele país rural de 1909 transmitia um trypanosoma ao picar e deixar suas fezes em crianças, adultos e animais domésticos, que podiam permanecer assintomáticos ou apresentar edemas generalizados, febre e complicações intestinais e cardíacas que os levava à morte. Carlos Chagas descobriu, em curto tempo de pesquisa, o patógeno (e seu ciclo evolutivo), o vetor, os hospedeiros, as manifestações clínicas (fase aguda e crônica) e a epidemiologia da doença, um feito único na biomedicina. Esta história complexa e também cheia de simplicidade cerca as comemorações dos 100 anos da descoberta de Chagas; seus detalhes, cronologia e debates recentes sobre o enfrentamento da doença são tema da matéria de capa. Dizia-se sobre Chagas que era excelente clínico e um mau médico, porque não sabia cobrar. Não por acaso, ingressou no Instituto de Manguinhos, hoje Fiocruz, dedicando sua vida à saúde pública. Prova de generosidade, mas principalmente de visão avançada do fazer ciência, foi a maneira como compartilhou com seus colegas e dezenas de discípulos o processo da descoberta e das pesquisas que aperfeiçoaram o conhecimento do ciclo completo da doença. Um trabalho em rede numa época em que os protocolos eram ditados pela hierarquia e o processo individual. Cada passo da descoberta foi tornado público, assegurados os critérios de validação científica, para que o conhecimento coletivo apressasse e aprofundasse a compreensão e o tratamento da doença. Ao longo do século passado, equipes de saúde foram incansáveis no combate e controle do barbeiro, principal vetor da doença. Somente nas últimas décadas, como medida colateral do combate ao vírus da aids, a transmissão por sangue também foi controlada. Existe medicação e tratamento apropriados oferecidos pelo Sistema Único de Saúde, mas o número de casos ainda é inaceitável. Hoje, a doença negligenciada por atingir predominantemente os pobres volta a chamar a atenção. O registro de novos casos importados ou provocados pela falta de controle em bancos de sangue — ainda objeto de comercialização, por exemplo, nos Estados Unidos — levaram países desenvolvidos a acordar para a necessidade de eliminação da doença. O segundo alerta vem do interior do Brasil. Não só em grotões nos quais persiste negligência do Estado e desinformação, mas também no Amazonas e outros estados, onde aumentaram os casos de transmissão oral pela contaminação de alimentos cujo transporte e manipulação não são devidamente acompanhados pela vigilância sanitária. O centenário de Chagas não deve se limitar a eventos, mas à arregimentação de forças para enfrentar todo o conjunto de doenças negligenciadas e desigualdades econômicas e sociais que deterioram a qualidade de vida das populações pobres. Chagas se importava menos com as glórias de suas descobertas do que com o uso desse conhecimento. Pouco antes de morrer, ele fez um apelo a um de seus principais assistentes (Emmanuel Dias): “Emmanuel, preciso acabar com essa doença...”. Que seja este o mote das comemorações! Rogério Lannes Rocha Coordenador do Programa RADIS
dc.language.isopor
dc.publisherFundação Oswaldo Cruz/ENSP
dc.rightsopen access
dc.titleRADIS - Número 81 - Maio
dc.typePeriodical
Appears in Collections:RADIS - Comunicação e Saúde - 2009

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