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Title: RADIS: Comunicação e Saúde, número 182, novembro
Responsible Institution: Fundação Oswaldo Cruz. Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca
Abstract: É longo o caminho para que a população brasileira alcance os direitos mínimos da cidadania. Pior. Com políticas de austeridade econômica, supressão dos direitos constitucionais e desmonte da estrutura do Estado e dos serviços públicos, este horizonte está mais distante. Cerca de 70% dos brasileiros adultos necessitam de algum tipo de prótese dentária, em função da queda ou extração de dentes não tratados, numa sociedade em que o modelo hegemônico na Odontologia privilegia o atendimento privado, tratando quem pode pagar, e não a saúde bucal coletiva no sistema público. Perder os dentes ao envelhecer não é natural, mas resultado, principalmente, de desigualdades socioeconômicas. “As bocas de nossa gente refletem nossas iniquidades”, resume Paulo Capel Narvai, professor da USP e relator-geral da 3ª Conferência Nacional de Saúde Bucal, um dos especialistas entrevistados em nossa matéria de capa. O repórter Luiz Felipe Stevanim ouviu também profissionais do SUS e as pessoas que recebem o tratamento, colhendo depoimentos de entristecer e de fazer sorrir. A Política Nacional de Saúde Bucal foi responsável pela ampliação gradual, a partir de 2004, da prevenção e dos cuidados odontológicos na atenção básica, com a entrada de profissionais de Odontologia em metade das equipes da Estratégia Saúde da Família e a instalação de consultórios odontológicos em unidades básicas de saúde, além da criação de 1.100 Centros de Especialidades Odontológicas na atenção secundária. Paralelamente, a fluoretação da água nas cidades ajudou a reduzir as cáries, especialmente em crianças de até 12 anos. Deixar de ser um país de desdentados implica seguir ampliando a insuficiente cobertura assistencial e reduzindo as enormes desigualdades sociais e regionais no país. Infelizmente, ambos os processos estão retrocedendo. O desastre provocado pela mineradora Samarco em Mariana (MG), em 2015, chamou atenção para um problema há décadas denunciado pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB): os impactos socioambientais gerados pela construção indevida ou inadequada de barragens. Há 22.920 barragens no país. Das 3.691 classificadas em Relatório de Segurança da Agência Nacional de Águas, 1.091 estão na categoria de alto risco. Em outubro, o MAB reuniu no Rio de Janeiro mais de 3 mil pessoas que trabalham, vivem ou foram removidas de regiões afetadas por barragens, principalmente de usinas hidrelétricas, para renovar sua luta contra violação de direitos, destruição de territórios e culturas e mercantilização da água e da energia. Sem direito à comunicação, pouco se sabe da realidade e não se conquista o direito à saúde. Tese premiada da jornalista Pâmela Pinto, que resultou no livro “O Brasil e as suas mídias regionais: estudos sobre as regiões Norte e Sul”, aponta que há pouco conteúdo local nos meios de comunicação destas regiões, com programação dominada pelas redes nacionais. A comunicação ainda é vista como um negócio e não como direito, constata a autora. Registramos a preocupação manifesta ao nosso governo por 23 cientistas ganhadores do prêmio Nobel, de diversos continentes, com a drástica redução dos investimentos em Ciência e Tecnologia no Brasil. Outra medida da Presidência da República, temporariamente suspensa pela Justiça após forte reação nacional e internacional, alterou regras do combate ao trabalho escravo, dificultando a caracterização de trabalhos forçados, em jornada exaustiva e condições degradantes, e a divulgação dos empregadores envolvidos com este tipo de crime. O que dizer sobre uma decisão que representa uma ponte de volta à escravidão?
Issue Date: 2017
Publisher: Fundação Oswaldo Cruz/ENSP
Citation: RADIS: Comunicação e Saúde. Rio de Janeiro: FIOCRUZ/ENSP, n. 182, nov. 2017. 19 p. Mensal.
Copyright: open access
Appears in Collections:RADIS - Comunicação e Saúde - 2017

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