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Title: RADIS - Número 4 - Novembro
Responsible Institution: Fundação Oswaldo Cruz. Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca
Abstract: O contraste agudo de nosso tempo e de nosso ‘lugar’ parece nos atingir em cheio, neste final de ano, e procuramos avidamente um meio termo confortável para a já clássica frase de Luiz Fernando Veríssimo: “É impossível ser otimista e bem-informado ao mesmo tempo”. As vozes de esperança estão no ar, nas expectativas de um novo governo eleito, nos discursos honestos e transparentes do VI Congresso Mundial de Bioética, nos depoimentos ativos dos que atuam na área da formação profissional em saúde e em suas perspectivas para qualificação e humanização do ensino da graduação. Os jornais, entretanto — esses vilões de papel que constantemente atentam contra nossas lentes cor-de-rosa —, diariamente oferecem numa bandeja as vísceras da natureza humana, da maldade, do egoísmo, da vida-mercadoria, dos abusos de poder (do pai de família, da grande nação), da corrupção e da falta de sentido. Impossível permanecer impassível à pergunta do senador italiano Giovanni Berlinguer que, já quase octagenário, abraçou a Bioética como nuova strada: “Que valor damos à vida?”. A pergunta é um aguilhão, a cada discurso que ouvimos, a cada notícia que lemos, a cada alegria e tragédia, a cada dor e delícia que vemos e vivemos: “Que valor damos à vida?”, “Que valor damos à vida?”, “Que valor damos à vida?”... Dolorido aguilhão, que mais fere quanto mais ‘bem-informados’ nos tornamos. Mas, como disse outro sábio decano, o professor brasileiro Marco Segre, não se tem como definir a vida humana pela ciência, mas pela crença. “Percebemos as coisas a partir de um núcleo interior afetivo, e depois ficamos o resto da vida buscando justificativas teóricas para elas”, diz ele. Queremos crer na esperança, e nosso objeto (de trabalho, de estudo, de reflexão) é a Saúde, a Grande Saúde. Queremos crer no cuidado que protege a vida, na informação que produz subsídios e conhecimentos para melhor cuidar, na virtude aristotélica da eqüidade para bem repartir esse cuidado. Queremos crer, antes de tudo, na Educação como potência criadora, talvez a única capaz de contrapor-se a todos os outros poderes que causam danos ou impõem limites à vida (novamente, “que valor lhe damos?”). Bem-informados, e ainda assim otimistas. Inexplicável. Não é uma questão de objetividade científica. 
Issue Date: 2002
Publisher: Fundação Oswaldo Cruz/ENSP
Citation: RADIS: Comunicação e Saúde. Rio de Janeiro: FIOCRUZ/ENSP, n. 4, nov. 2002. 23 p. Mensal.
Copyright: open access
Appears in Collections:RADIS - Comunicação e Saúde - 2002

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