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Title: RADIS - Número 132 - Setembro
Responsible Institution: Fundação Oswaldo Cruz. Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca
Abstract: O álcool talvez seja a segunda droga mais difícil de ser abordada no jornalismo comprometido com o ponto de vista da saúde pública. Só perde em complexidade para os medicamentos. Embora sinônimo de saúde no imaginário coletivo, remédios são drogas que precisam ser bem ministradas e administradas para não atrapalhar a promoção da saúde humana, a partir do equilíbrio do próprio organismo do indivíduo. A melhor estratégia de comunicação neste caso é evitar a manipulação da indústria farmacêutica e promover sempre o esclarecimento e o debate multidisciplinar. Na sequência, vêm o tabaco e as drogas ilícitas. Só a indústria, colocando os lucros acima da saúde alheia, ainda ousa contestar a vinculação direta das drogas contidas no cigarro com incontáveis danos e doenças crônicas, agudas e fatais. Na última edição, publicamos matéria enfatizando as maneiras e as vantagens de deixar de fumar, e informando em quanto tempo os efeitos positivos já começam a ser percebidos. Em relação às muitas drogas ilícitas, o senso comum e as leis se encarregam de demonizá-las. Cabe à saúde pública aferir com realismo os diferentes efeitos, estimular abordagens na linha da redução de danos e até questionar o quanto as políticas atuais estimulam as redes criminosas de produção e comércio e atrapalham acolhimento, conscientização e tratamentos, quando necessários. É longa a lista de nossas reportagens acerca dessas questões e de políticas públicas adequadas. Voltando ao álcool. Ao contrário de outras substâncias que também entorpecem ou alteram os sentidos e o funcionamento do organismo, o álcool ocupa lugar de grande aceitação e até estímulo em nossa cultura – abrangendo diferentes regionalidades, classes sociais ou mesmo categorias profissionais específicas. Este é o ponto de partida de nossa matéria de capa. A compreensão do valor cultural do consumo de bebidas alcoólicas e o cuidado para não demonizar o ato de beber. Dito isto, nos cabe informar, desconstruir mitos, apresentar os estudos que demonstram o quanto o consumo abusivo do álcool potencializa impactos e ameaças à saúde – no caso exemplar do trânsito, nem é preciso chegar ao abuso –, denunciar o quanto a sede de lucro da indústria e a irresponsabilidade da propaganda enganam e expõem os mais vulneráveis a riscos e danos evitáveis, descortinar como o poder financeiro e a leniência do Estado e da sociedade impedem que leis e políticas públicas contribuam para evitar e reduzir os danos relacionados ao consumo precoce ou abusivo e à dependência química. Esta complexidade não comporta maniqueísmos. Mas requer precaução onde há risco e determinação para agir onde há evidências.
Issue Date: 2013
Publisher: Fundação Oswaldo Cruz/ENSP
Citation: RADIS: Comunicação e Saúde. Rio de Janeiro: FIOCRUZ/ENSP, n. 132, set 2013. 36 p. Mensal.
Copyright: open access
Appears in Collections:RADIS - Comunicação e Saúde - 2013

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