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Title: RADIS: Comunicação e Saúde, número 195, dezembro
Responsible Institution: Fundação Oswaldo Cruz. Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca
Abstract: A pós um processo eleitoral polarizado no nível nacional e nos estados, nem tudo que foi dito ou proposto em campanha se revela factível ou consensual entre as próprias forças que se uniram em torno de um projeto de poder. Além disso, há uma realidade complexa que se impõe como espaço em que as políticas setoriais terão que ser implementadas com sucesso, ou não, caso se revelem inadequadas ou ineficazes. Para que ideias se tornem projetos viáveis é preciso diálogo, uma concertação entre os agentes de Estado e da sociedade em cada campo de atuação ou conhecimento. O compasso de espera pela iniciativa dos governantes eleitos permite também avaliações e debates para adequar propostas. Nossa matéria de capa traz a análise de acadêmicos e de entidades da saúde coletiva sobre expectativas geradaspelo programa de governo e por declarações do presidente eleito, Jair Bolsonaro, acerca das políticas públicas de saúde e de ciência e tecnologia. A principal preocupação é quanto à visão no plano de governo protocolado no Tribunal Superior Eleitoral, de que o gasto atual com saúde no Brasil é adequado, se comparado com o de países desenvolvidos, e de que os problemas do SUS são apenas de gestão. No estudo "A saúde nos programas dos candidatos à Presidência em 2018", renomados sanitaristas da USP, UFRJ e Fiocruz contestam este diagnóstico. Confirmam que o Brasil dedica 9,5% do PIB à saúde, pouco mais que os 9,1% do Reino Unido, mas advertem que a maior parte desses recursos no Brasil (57%) são gastos das famílias com planos e medicamentos. Segundo o relatório de Estatísticas Sanitárias 2018 da Organização Mundial da Saúde, somando os gastos de União, estados e municípios, o investimento público na área é de apenas 334 dólares por habitante por ano, dez vezes menor que que o aplicado pelo Reino Unido (3.500 dólares por habitante/ano). Apoiar-se numa premissa distante da realidade pode não fazer bem à saúde do SUS. A matéria trata ainda de carreira de Estado para médicos, credenciamento de médicos para atenderem pelo SUS, prontuário eletrônico, risco aos direitos e à qualidade na atenção à saúde de grupos tratados de forma discriminatória ao longo da campanha, como mulheres, pessoas vivendo com HIV/aids, populações negras, indígenas e LGBTI. Na Ciência e Tecnologia preocupa a redução no financiamento do desenvolvimento científico nacional. Antes mesmo de iniciar o mandato, declarações do presidente eleito levaram o governo de Cuba a retirar 8.517 profissionais que atuavam pelo Mais Médicos em quase 3 mil municípios desde 2013, afetando o atendimento a cerca de 28 milhões de pessoas, em especial nos 1.575 municípios e em quase todos os distritos de saúde indígena, nos quais o atendimento médico era feito apenas por cubanos. Destacamos nesta edição o processo global de risco à saúde de crianças e adolescentes em consequência de diagnósticos indiscriminados e excesso de prescrições de medicamentos psiquiátricos. No seminário internacional "A epidemia de Drogas Psiquiátricas — As evidências científicas para a desmedicalização segura e eficaz", realizado no Rio, impressionaram os relatos sobre crianças encaminhadas para tratamento medicamentoso por terem dificuldades na interação social ou reagirem a bullying na escola e assédio na família. O discurso medicalizante estimulado por indústria farmacêutica, médicos e mídia encontra eco, muitas vezes, na orientação das escolas e nas escolhas das famílias. Várias gerações de especialistas e ativistas em saúde pública e direitos humanos dedicaram décadas de trabalho, estudo, pesquisa e reflexão para oferecer conhecimento científico e evidências para melhorar a vida da população brasileira. Contribuem para a sociedade e o Estado com propostas e alternativas de políticas públicas voltadas para assegurar qualidade na educação, na saúde e na proteção social de pessoas de todas as idades. Movimentos organizados da sociedade lutam há séculos, em todo o mundo, para conquistar, preservar e ampliar direitos iguais para todos. A vida não para a cada eleição. Iniciativas de comunicação pública como a revista Radis, que se constituíram historicamente como espaço de divulgação científica, jornalismo crítico, observatório de mídia e ambiente de debate acadêmico e popular de alto nível, são essenciais para o acompanhamento da evolução do conhecimento e das práticas sociais nos mais diferentes contextos. Por isso, para nós, compasso de espera não significa inércia. É tempo de intenso trabalho de ausculta, reflexão e prospecção de cenários. Nós não paramos.
Issue Date: 2018
Publisher: Fundação Oswaldo Cruz/ENSP
Citation: RADIS: Comunicação e Saúde. Rio de Janeiro: FIOCRUZ/ENSP, n. 195, dez. 2018. 36 p. Mensal.
Copyright: open access
Appears in Collections:RADIS - Comunicação e Saúde - 2018

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